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Everything is a Choice

🍀 Escolho a paz e a harmonia pois é o melhor para mim! 🍀

Everything is a Choice

🍀 Escolho a paz e a harmonia pois é o melhor para mim! 🍀

Haja um dia

Rapariga do Campo, 06.12.22

Há algum tempo que não aparecem os rapazes que lavam as minhas vistas lá no ginásio. Ultimamente só pessoas velhas, homens-homens, neste caso. Porque da minha idade só raparigas. Há um deve ter a minha idade mas vai com a namorada por isso não conta.

Mas, e há um "mas" em tudo como se costuma dizer. Hoje foi finalmente o dia em que lavei as vistas decentemente. Estava a ver que não aparecia alguém decente.

Primeiro que tudo: simpático. Sim, porque trocámos umas palavras e deu para ver isso. Pareceu-me ser o seu primeiro dia ali, foi com um senhor com o qual já falo de vez em quando, e que estava a dar-lhe indicações de alguns exercícios para musculosos. Ai aquele moço - como diz uma amiga - tem cá uns músculos...

Houve uma situação engraçada, entrou numa salinha das avaliações a pensar que era um wc para encher a garrafa de água. Bateu com a porta na mesinha da instrutora onde ela estava com uma rapariga. Foi muito engraçado. Só visto  eu e o tal senhor demos umas boas gargalhadas, foi muito engraçado.

Finalmente alguém decente para lavar as vistas, não pelo físico, mas pela simpatia das palavras. Pode ser que nos cruzemos mais vezes, porque aquilo tem andado um pouco fraco neste aspecto...

Já não sinto

Rapariga do Campo, 03.12.22

Telefonei. Nem cinco minutos falámos uma vez que eu estava a trabalhar e tive que lhe desligar o telefone: praticamente na cara. É a vida. Uma colega chamou-me e o trabalho era prioritário. Mais tarde liguei de volta, não me atendeu. Quando me retribuiu de volta, estava eu ocupada, não tinha o telemóvel comigo. Retribuí e não atendeu nem voltou a ligar-me. Temos pena. Não houve conversa de aniversário para ninguém. Se não for assim também não falamos de maneira nenhuma visto que ele não desenvolve as mensagens que lhe mando.

Naquele curto espaço de tempo vi que a parvoíce continua, a estupidez continua, e qualquer sentimento que eu ainda poderia ter pelos vistos é inexistente. Felizmente é inexistente! Demorou mas finalmente aquilo que eu sentia percebi, graças àquela curta chamada, que já não sinto.

Insignificância

Rapariga do Campo, 20.11.22

Mandei uma mensagem a saber como elas estão e a dar os parabéns a um familiar dela. Passaram-se três dias e não obtive resposta. Ainda bem que também mandei à mãe dela para dar os parabéns senão eu ainda passaria por esquecida, já que a pessoa não lê mensagens, dada a idade.

Estarei a ficar uma pessoa assim tão insignificante na vida dela que nem dois minutos há para enviar uma mensagem? É provável que sim. Resta aceitar.

Quererei casar e ter filhos?

Rapariga do Campo, 19.11.22

Por vezes faço-me estas perguntas. Estou solteiríssima da vida, sem namorado e sem qualquer amizade com possível relação. No entanto meto-me a pensar que até gostava de casar, ser levada até ao altar pelo meu pai, dar-lhe esse gosto uma vez que sou filha única. Por outro lado, não gosto de ser o centro das atenções... Quem sabe o que acontecerá na minha vida?

Posteriormente, filhos. Ou filhas. Menino ou menina? Desde que venha com saúde, é o importante não é? Mas acho que preferia uma menina. Só que lá está, o mundo já está tão carregado de pessoas... Depois vejo bebés a passarem a vida ou no infantário ou com avós. Comigo acho que não seria assim. Eu esforçar-me-ia para conseguir um acordo com a minha entidade laboral para ter um horário mais curto para poder estar com a minha/meu bebé. O trabalho não viria primeiro. Pelo menos é o que eu digo agora que não estou na situação não é... Sei lá eu o futuro. Só sei que me derreto com bebés, mas não demonstro, não dou a parte fraca. Mas por dentro estou toda derretida e com vontade de apertar e agarrar. Só que não posso senão vêm com perguntas chatas que não tenho paciência para responder.

Mas que até gostava de dar um genro e um neto ou uma neta aos meus pais, lá isso gostava. Sim... acho que isso traria alegria para a minha vida, mas também para a vida deles. Um rapaz para a minha mãe conversar sobre o Ronaldo ou música, para o meu pai falar de filmes, e uma criança para os alegrar com os seus gritinhos, ao começar a andar, abracinhos, e restante alegria que uma criança traz.

Acho que estou demasiado melancólica... Ou estarei maternal por ter tido contacto com crianças pequenas nesta semana? Mas pode ser que tudo isto aconteça. Acho que gostava mesmo que sim.

Falta de disciplina

Rapariga do Campo, 05.11.22

Como é que mudo isto? Como? Se eu ao fim do dia venho cansada psicologicamente depois de um dia a "aturar" a minha chefe para quem as coisas quase nunca estão bem? Vou ao ginásio para limpar a mente e exercitar o corpo. Voltar a casa, banho, e tarefas domésticas.

Como é que tenho estofo mental e disciplina para as minhas actividades espirituais? Consegui disciplinar-me para meditar de manhã. Levantar-me bastante mais cedo para meditar e já não passo sem isso. Mas à noite... a procrastinação apodera-se de mim. Devia estudar a matéria que aprendo nas formações que faço sobre espiritualidade mas não. Meto-me a ver televisão, a novela que não é nada de jeito ou outros programas quaisquer. O único interessante é "O Anjo na Terra" na RTP Memória que acaba tardissimo, às 23h30, hora que eu já devia estar no sétimo sono. Mesmo assim adoro ver aquela série. Mas entre o fim do jantar e o início do episódio dava tempo para estudar. Só que não. A preguicite aguda leva-me até ao sofá em vez da disciplina ser mais forte e me levar até à secretária.

Isto vai ter que mudar. De alguma forma, vai ter que mudar. Preciso de mudar. Preciso de interiorizar tudo o que tenho aprendido, preciso de estudar ou estas formações não valerão de nada. O dinheiro foi investido para alguma coisa, e eu quero ajudar pessoas por isso tenho que meter as mãos na massa. Ninguém o fará por mim. Absolutamente ninguém.

Amizades

Rapariga do Campo, 31.10.22

Há amizades que vêm e vão. Existem outras antigas que achamos que são para sempre mas afinal se calhar não são assim tão eternas.

Tenho uma amiga que voltou à minha vida recentemente. Tinha "desaparecido" e por muito que eu tentasse manter o contacto ela parecia fugir, não me respondia como deve ser, parecia que respondia de forma a querer manter-se afastada. Agora percebi o porquê. Quando ela tentou retomar contacto comigo, eu fiz-lhe o mesmo. Respondi friamente, ela tinha sido seca, "quando eu quis falar contigo não quiseste, então agora pago na mesma moeda", pensei eu. A situação foi a mesma que a dela naquela altura: estávamos ambas com problemas do foro psicológico mas em momentos diferentes. Felizmente agora, após uns 2-3 anos de interregno retomámos o contacto e acredito que será para durar pois temos estado a desabafar bastante uma com a outra sobre estas situações psicológicas, entre outras coisas, e penso que temos bastante a aprender uma com a outra.

O mesmo não posso dizer de outra amiga, a minha suposta melhor amiga. Se a anterior está a uns 250km de mim, esta está a uns 30 e mal me fala. Não me responde às mensagens e não consigo entender o porquê. Desde que casou e desde que foi mãe, ainda nem há um ano, que tudo mudou. Algo que ela disse que nunca iria acontecer. Mas aconteceu. Demora a responder a mensagens, ou então nem sequer me responde. O que aconteceu na última vez.

Começo a ficar cansada. Primeiro foi quando se casou, e acabámos por resolver as coisas, ela disse que ia esforçar-se por não deixar a nossa amizade para trás até porque eu apareci antes que o marido dela. Agora é com a filha. Eu compreendo e obviamente aceito que a miúda precisa da mãe, mas não arranja 5 minutos, no tempo em que ela está a dormir, para me responder a uma simples mensagem a saber como ela está? Se calhar bem posso morrer que ela nem dá por isso. Eu é que já não tenho redes sociais, se tivesse se calhar via publicações, se calhar para isso já tem tempo. Prefiro nem saber.

O melhor mesmo é eu não perder mais tempo com isto. As relações, sejam elas de amizade ou amor, não podem ser feitas apenas por uma pessoa a lutar por elas. Gostava que esta fosse uma amizade eterna como sempre jurámos que seria. Mas parece que isso não vai acontecer. E não vai ser por falta de esforço da minha parte.

O que me vale é que tenho amigas de outro lado. Só tenho pena que estejam a mais de 80-100 km de distância, ou até mesmo 250km. Isso é que tenho pena. Paciência. A vida é assim.

Notas para mim mesma

Rapariga do Campo, 16.10.22

Há momentos que não vontade de nada, só de isso mesmo: de não fazer nada. Não tenho vontade de escrever, nem sequer de escrever para desabafar. Tenho lido mas não tanto quanto gostaria. Preciso de acabar um livro porque quero ler aquele que está a seguir na fila de espera, e agora surgiu ainda outro...

Tenho uma coisa para acabar para uma colega do trabalho. Ando há algum tempo de volta disso porém ainda não consigui terminar. São duas partes, uma está quase, e a outra não dá para fazer sem a primeira. Na próxima semana tenho que dar o litro e conseguir fazer tudo.

Quase não tenho falado com amigas minhas. Falo com uma cujas respostas levam 2-3 dias, o que é normal na nossa relação. Aproximei-me de outra amiga cuja amizade estava desvanecida há bastante tempo. Foi ela que se reaproximou de mim, o que me deixou perplexa. Desabafou comigo o que se passava na vida dela e voltámos a ficar próximas e a falar com mais regularidade. A minha melhor amiga está afastada desde que foi mãe. Não a censuro mas por outro lado também me custa. Tenho que ser sempre eu a dizer alguma coisa para haver contacto entre nós. Pode ser que se um dia eu me casar e for mãe aconteça o mesmo. E depois ainda há uma amiga anónima que conheci há uns quantos anos numas andanças igualmente anónimas, não sabemos o nome uma da outra, sabemos apenas a região onde vivemos e vamos falando e desabafando uma com a outra os nossos dramas amorosos, familiares, pessoais, etc. A brincar é uma amizade que já deve ter uns 10 anos provavelmente, mas acredito que vai ser para durar.

Ando no ginásio mas os rapazes para lavar as vistas são poucos ou nenhuns. Há um que se faz à instrutora, tem a mania que é bom. Há outro que deve ser PT, pelo menos tem ar disso, mas agora vou noutro horário por isso deixei de o ver. E depois são só quarentões. Pode ser que um dia tenha sorte e apareça lá alguém que me encante e eu o encante a ele ahahah 

E por fim, instalei uma aplicação para fazer amizades. Mas nada parecida com Tinder's e afins. Nesta procura-se mais amizades do que sexo. E quem estiver à procura da segunda opção tem que esperar pelo menos 30 minutos pela resposta porque as mesmas não são instantâneas uma vez que elas devem ser em forma de cartas e demorar a chegar ao destino porque são isso mesmo - cartas. Até agora estou a gostar, tenho falado com pessoas decentes, recebi várias cartas às quais respondi mas que depois já não recebi resposta. É sinal que esperavam outro tipo de energias, se é que me entendem. Melhor para mim pois assim estou a falar apenas com pessoas realmente interessantes.

Veremos o que me traz a próxima semana. Espero que sejam boas energias mas principalmente foco e paciência.

Será uma espécie de bullying laboral?

Rapariga do Campo, 12.09.22

É o que eu acho que estão a fazer com o meu pai e eu não sei o que fazer para conseguir ajudá-lo.

Desde há uns bons anos que ele começou a sofrer de depressão e aí começou com medicação. E agora parece que a dita cuja está a dar de si outra vez, quiçá a piorar. Penso, pelo que ele conta, por culpa dos colegas dele. Eu não vejo, é verdade, mas não tenho por que não acreditar no que o meu pai diz.

Esteve de férias e desde que voltou ao trabalho que tudo mudou. Os colegas dele viram-lhe a cara, embora o cumprimentem parece-lhe que é de má vontade. Sentavam-se ao pé dele à refeição e agora ninguém se senta ao pé dele. Ele está num sítio a fazer o serviço dele, a uns metros estão colegas a cochicharem e a rirem-se olhando para ele. Até os chefes têm agido de maneira diferente com ele. E ele não faz ideia do porquê, não quer perguntar porque tem medo de dizer alguma coisa de errado, de se exaltar e correr o risco de ser levado aos superiores e vir para o olho da rua. Ele até diz "Se calhar é o que querem, andam a fazer isto comigo porque sou efectivo e querem meter os efectivos a andar para ficarem só com temporários para pagarem menos aos empregados".

Como é que alguém se sentiria num ambiente assim? Eu não me sentiria bem. E o meu pai não se sente bem, por muito forte que ele seja fisicamente sei que ele não é assim tão forte mentalmente. Vai-se abaixo com facilidade. Não consegue lá estar. Não consegue trabalhar, e agora quer ir ao médico para ter baixa novamente. Só que já esteve de baixa antes das férias, vamos lá ver se a médica a pode passar, senão não sei como será.

E eu como filha não sei o que fazer. A minha vontade é aparecer lá e perguntar àquelas pessoas o que é o meu pai lhes fez para elas agora o olharem de lado, para se rirem dele e não o tratarem como antes. Mas não posso. Não posso porque isso iria ferir o ego masculino do meu pai e porque não me deixariam entrar. Não conheço as pessoas por isso nunca daria. A única coisa que posso fazer é dizer boas palavras ao meu pai, tentar fazê-lo mudar o seu pensamento. Fazê-lo perceber que não é a fugir de lá, a não ir trabalhar que as pessoas vão mudar e deixar de o tratar como tratam. Mas não sou eu que sinto o que ele sente.

Sobre a falta de respeito e civismo

Rapariga do Campo, 08.09.22

Não queria julgar toda a gente porque há sempre a excepção que confirma a regra, mas já diz o ditado que o justo paga pelo pecador. E é isto que infelizmente tenho que fazer, julgar a juventude entre os 16 e os 20 e poucos anos como umas pessoas mal formadas, mal educadas, sem civismo, sem respeito pelas outras pessoas, que não pensam que as coisas podiam ser com elas, não se metem no lugar do outro, sabendo eu obviamente que não são todos assim. Também há adultos - falo neste post dele - mas na generalidade foram só jovens, ou serão crianças que se julgam que por serem maiores de idade são alguém na vida? Se calhar até são, mas pelas atitudes demonstradas, parece-me que ainda têm bastante a crescer mentalmente. Tal como eu também tenho que crescer em certos aspectos, claro.

 

Finalmente acabou a festa da minha terra. Odeio estes dias. Odeio esta festa. Gosto da terra mas odeio quando chega esta altura. É a constante passagem de pessoas na minha rua que em dias normais é praticamente deserta. São os carros que vêm aqui estacionar como se não existissem outras ruas onde os deixar - não que me incomode os carros aqui estarem, nada disso, o que me incomoda é o barulho que eles fazem, isso sim. São os miúdos a correrem de um lado para o outro aos gritos - este ano tive que ir à rua e chamá-los à atenção sobre os gritos histéricos que eles estavam a dar quase às 2h da manhã. Porque correr e rir é uma coisa, mas berrar é outra completamente diferente. Dois dos cinco pediram desculpa, com idades quase para serem meus filhos se tivesse sido mãe super nova, tinham 13-14 anos. Depois lá continuaram a brincadeira sem histerismos.

Mas este ano... este ano superou todas as expectativas negativas. Nunca pensei que uma coisa destas me viesse a acontecer. Felizmente, para esta gente, foi comigo e não com o meu pai, senão estavam bem tramados. Numa das noites apanhei dois rapazes - sem contar com os outros que não vi - a libertarem a sua bexiga contra a parede da minha casa, entre a parede e o carro. Apanhei-os literalmente com a dita cuja fora das calças quando abri a janela da sala. Se ficaram envergonhados não sei, mas lá pediram desculpa, que sabiam ser incorrecto. Um ainda teve a lata de dizer "Mas eu não atinji o carro". Só lhe respondi "Era melhor, acho que não és um cão". Depois fui apanhando outros. Um deles, mais tarde, até se deu ao trabalho de vir novamente pedir-me desculpa e perguntar se eu lhe arranjava um balde com água que ele despejava no chão. Era o que faltava, fosse pedir à organização, não sou eu que tenho que arranjar isso. Aliás, eu já tinha despejado uns bons baldes em cima daquele xixi todo. No entanto, agradeci-lhe a atitude e disse-lhe que gostei que me tivesse vindo pedir uma segunda vez desculpa e que as atitudes ficam para quem as pratica, mesmo não despejando o balde a atitude por si só já é alguma coisa.

Um rapaz a quem também chamei a atenção sobre as paredes da minha casa não serem um wc é tão adulto que cada vez que passava por mim mandava-me "tomas" (🖕​). Acho isto incrivelmente adulto e só mostra como este rapaz é alguém que assume as atitudes que pratica (ironia para o caso de não entenderem).

Uma rapariga vomitou no chão mesmo em frente ao meu carro, vómito vermelho. Ou sangria ou vinho. Ou as duas coisas, e se calhar com cerveja. Sei lá. Se não aguentam para que é que abusam na bebida? Para se integrarem no grupo? Para parecerem fixes? Não consigo entender por muito que puxe pelo cérebro.

Um rapaz, a quem também chamei a atenção, mandou dois copos de plástico da cerveja para o chão e depois deu-lhes um pontapé. Não reparou que eu estava a ver. Perguntei-lhe se por acaso ele não conhece o significado de "caixote do lixo" e se em casa tem empregados. Estava com um grupo de amigos, sendo que uma das raparigas estava mal disposta, indiquei-lhe as casas de banho e que lá sempre era mais confortável do que estar sentada no chão, até porque vomitar para a sanita é mais fácil. Estes lá pediram desculpa, foram embora e não os vi mais.

Mais tarde houve até um homem que só faltou subir a minha varanda para me bater. Disse-me que se quissesse fazia ali contra a parede e não era eu que o impedia. E eu disse-lhe para fazer mas que eu não ia sair da minha janela. Fizeram vocês? Assim fez ele. Tanta garganta mas a acção ficou em casa.

A parte engraçada é que no local da festa há duas casas de banho, uma masculina e uma feminina. Eram 4 horas da manhã, vesti um fato de treino à pressa e fui falar com o responsável da festa sobre isto. Sim, porque esta situação toda de estar a servir de segurança à minha casa a "cães" de duas pernas passou-se entre as 2h30 e as 6h30 da manhã! Perguntei-lhe se não havia sinalização para aquelas casas de banho ou se elas estavam fechadas. Diz ele que há, que estão abertas e limitou-se a pedir desculpa. Pois, não foi nas paredes dele que andaram a mijar, para falar bem e rápido. Estou para ver no ano que vem.

A sorte é que é preciso poupar água, porque a minha vontade era ter puxado a mangueira e ter mandado uma mangueirada no chão onde andaram a libertar as bexigas e na areia, também ao lado da minha casa onde também andaram a libertar líquido fisiológico, e deixar aquilo tudo molhado para não irem lá meter os pés. Com sorte podia ser que refrescasse as ideias a alguém, andavam tão à verão com a ventania que estava, assim ficavam mais fresquinhos. Mas contive-me dada a situação se seca que o país e a Europa atravessam.

 

Acho impressionante, pela negativa, como a juventude - generalizando, porque como já disse, a excepção confirma a regra - está a caminhar para a irresponsabilidade e a falta de respeito e empatia para com as outras pessoas. Durante as horas todas que estive "de guarda" apenas 2-3 jovens foram respeitosos, pediram desculpa e assumiram o erro. Se estavam a ser realmente sinceros não sei, pelo menos pareceram. Mas a grande maioria foi mal educada e com uma grande falta de civismo. Não sei se por culpa dos pais - pois na minha modesta opinião parece que actualmente, desde há algum tempo, as pessoas só têm filhos por ter, porque é bonito, porque "Oh meu Deus o que dirão de mim/nós se não tiver/tivermos filhos? " - se pela constante necessidade de fazer parte do grupo, de "seguir a carneirada", de ter medo de ser excluído se não fizer o que toda a gente faz. Parece-me que infelizmente as novas gerações se estão a perder na frieza da tecnologia e a esquecer a importância do calor humano.

 

Posso estar a parecer maníaca ou algo do género apenas por causa de uma simples festa, mas não é nada disso. Por mim podiam ter estado até às 6h30 a ouvir a música do DJ não-sei-quê, desde que não venham libertar a bexiga nas paredes da minha casa. Acho que ninguém gostava que fizessem isso nas paredes suas casas ou nas frentes/traseiras dos seus carros, ou estarei enganada?

Sobre a morte

Rapariga do Campo, 15.08.22

Morreu - não gosto da palavra faleceu, desculpem a brutidade - uma amiga pela qual eu tinha um grande carinho. Uma senhora de 83 anos, avó da minha melhor amiga. A última vez que falei com ela foi quando nasceu a minha sobrinha, ao telemóvel. Não a via há bastante tempo, com a saúde frágil como ela tinha, trabalhando eu ao atendimento ao público, juntando o vírus que ainda aí anda... tive receio de lhe transmitir alguma coisa. Agora arrependo-me de não ter ido visitá-la nem que tivesse sido apenas à porta da casa dela, à distância.

Gostava, e continuo a gostar, como se de uma avó se tratasse. Ela sempre me tratou bem, abraçava-me e tratava-me com um grande carinho, dizia-me que eu era uma netinha querida. Chorei quando li aquela mensagem logo de manhã: "A avó acabou de falecer, partiu em paz". Estava eu no trabalho e comecei a chorar. Porque tinha um grande carinho por aquela senhora, e não esperava que fosse já.

A minha melhor amiga foi acusada de insensível porque não estava a chorar aos prantos. Na minha opinião, a dor não se mede pelo choro. A mãe dela achou a partida demasiado cedo, quando a senhora já tinha 83 anos e já estava debilitada, já lhe custava e se cansava bastante a andar. Estava perto de precisar de uma bengala. Algo que ela não queria usar.

A morte é muito chata, é má quando chega demasiado cedo, e igualmente má quando vem tarde, mas neste caso ela estava a começar a sofrer e foi feita a vontade dela: não ficar dependente nem agarrada a uma cama. Só resta aceitar que numa certa idade a hora chega e é melhor assim do que ver a pessoa sofrer. Falo por experiência própria. Há 12 anos perdi uma avó que ficou algum tempo acamada devido a um AVC. Não falava, não sabíamos se nos reconhecia pois quando a íamos visitar não reagia de forma alguma, nem um simples som nem um pequeno mexer da mão. Não sabíamos sequer se tinha dores. Estava simplesmente ali fisicamente. Será que ainda estava mental ou espiritualmente? Tinha 78 anos. Há 4 anos perdi um avô que começou deixar de andar, de reconhecer as pessoas. Felizmente posso dizer que sempre me reconheceu quando eu o ia visitar. Mas já não era ele, o avô bem disposto e com piadas. Era um avô que chamava e perguntava por um irmão já falecido. Tinha 81 anos.

Quando um familiar, ou uma pessoa querida, morre com uma idade já avançada só nos resta aceitar. Custa muito, dói muito. Custou-me muito perder o meu avô, pois foi mais recente, eu era muito ligada a ele. Ia vê-lo todos os dias, mas a vida é mesmo assim. A lei da vida é serem os filhos/netos a enterrarem os pais/avós e não o contrário. É mais triste serem os pais a enterrar um filho. Não podemos ser egoístas e querer alguém connosco fisicamente se a pessoa não está bem, seja física ou mentalmente.

A morte é má, sim é. Mas a morte também traz paz e tira o sofrimento. Tanto à pessoa que está doente, a sofrer com dores, como aos familiares que estão a vê-la sofrer e muitas vezes não conseguem fazer nada para ajudar.