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Everything is a Choice

ūüćÄ Escolho a paz e a harmonia pois √© o melhor para mim! ūüćÄ

Everything is a Choice

ūüćÄ Escolho a paz e a harmonia pois √© o melhor para mim! ūüćÄ

E depois condenam-me. A mim e a quem est√° como eu

Rapariga do Campo, 12.02.23

Muitas vezes, em conversas com pessoas fora da minha vida, sejam colegas de trabalho ou pessoas de cursos que faço, há um sentimento de condenação para comigo, quase como se elas fossem um advogado de acusação, ou um juiz, e eu estivesse num tribunal, e não estivéssemos a ter uma simples conversa. Conversa essa que acaba por tomar um rumo que não gosto: o facto de eu com praticamente 30 anos morar com os meus pais.

Aparece o discurso de como eu não tenho vida própria, de como me acomodei e de como tenho a "papinha toda feita", e o "pois, assim não tens que fazer nada em casa, estás no bem bom". Fico a pensar se alguma vez foram visita em casa e eu é que nunca reparei, porque sabem lá essas pessoas o que é que eu faço ou deixo de fazer em casa. Isso só a mim e aos meus pais é que diz respeito. O que é certo é que me deixa triste quando vem de certas pessoas pelas quais nutro algum bom sentimento, algum carinho, elas dizem esse tipo de coisas. O sentimento cai logo por terra abaixo. Não é por morar com os meus pais aos 30 anos que significa que eu não faço nada ou que não sei fazer nada ou que não tenho vida. Tenho a vida que quero e faço o que me compete em casa. Não fico alapada no sofá.

No entanto, depois de ler um post do Sardinha Em Lata¬†come√ßo a pensar que se calhar este tipo de condena√ß√Ķes v√£o¬†ter que diminuir. N√≥s jovens podemos manter-nos em casa dos pais porque queremos mas pensem que tamb√©m pode ser porque existe falta de oportunidade. Se o custo de vida est√° caro como √© se sai de casa dos pais? Onde moro, longe mas ao mesmo tempo perto de Lisboa, as rendas n√£o s√£o a 1300-1500 euros, mas s√£o a 800-900 euros. E o dinheiro para a comida? Cai do c√©u? Ou continua-se a ir comer a casa dos pais? Para isso continua-se a morar com eles. E nem se fala do resto das despesas. Acho que n√£o vale a pena.

E falo eu que sou pessoa solteira e sem algu√©m com quem partilhar casa. Fartam-se de me dizer que assim n√£o vou longe, que assim nunca vou arranjar namorado, que assim vou morrer sozinha. Ningu√©m pode falar do que n√£o sabe. N√£o sabem nada sobre os meus objectivos de vida. Quem diz os meus diz sobre quem est√° em situa√ß√Ķes semelhantes √† minha. As pessoas t√™m a mania de opinar sobre tudo, de se meter na vida, de mandar bitaites e acharem que s√£o donas da raz√£o. Acham que as coisas deviam acontecer como elas dizem. Eu at√© posso querer morar com os meus pais o resto da vida e ningu√©m tem nada a ver com isso. Se eu digo isto, cai logo o carmo e a trindade porque eu devia era arranjar namorado, e passear, e ter filhos. Mas e se eu n√£o quiser? Da maneira que est√° o mundo, as casas car√≠ssimas, como √© que os jovens podem ter sonhos? Emigrando? Eu n√£o quero emigrar e agora? Vou sair do pa√≠s porque algu√©m que n√£o √© nada diz que √© o melhor a fazer? Menos, por favor.

Sabem l√° se eu n√£o tenho inten√ß√Ķes de agarrar numa corda, at√°-la num s√≠tio qualquer e ficar l√° pendurada at√© algu√©m me encontrar inerte #ironia. Por√©m, n√£o se sabe o que est√° na mente das pessoas, por isso cuidado com que se diz e com o tipo de acusa√ß√Ķes que se faz quando se diz "ainda¬†moras com os pais porque assim n√£o tens que fazer nada e est√°s no bem bom" e coisas do g√©nero.

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