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Everything is a Choice

🍀 Escolho a paz e a harmonia pois é o melhor para mim! 🍀

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Piadas parvas

Rapariga do Campo, 05.01.24

Houve um concurso onde trabalho e um senhor com idade para ser meu pai, que tem uma ligeira deficiência, ganhou um fim-de-semana num hotel 4 estrelas algures neste país. Piada de uma colega minha:

- Podias ir com ele, conduzias tu o carro e iam os dois divertir-se.

Mal ela sabe que o homem conduz e que somos primos para aí em quarto grau. Só lhe disse "Pois, que piada".

Mais tarde lembrei-me do que lhe podia ter respondido:

- Você é que está sempre a queixar-se do seu marido, podia ir você com ele e ia espairecer e desanuviar, assim esquecia os problemas que tem em casa.

Só que não me ocorreu naquele momento, só quando já estava em casa e a comentar o sucedido com a minha mãe que me respondeu:

- Se não disseste é porque não era suposto, tu não és pessoa de dizer esse tipo de coisas parvas como ela.

 

Deve-lhe fazer muita confusão eu ter 30 anos e ser solteira e morar com os meus pais, e a filha dela ter 27 e morar com o namorado na casa que ela está a pagar. Ainda bem para a rapariga. Eu ainda não tive a possibilidade. Mas quando a tiver ninguém a saberá para não haver maus agoiros.

Negativismos

Rapariga do Campo, 08.12.22

Por vezes não tenho paciência e começo a calar-me. Não vá dizer alguma coisa que ofenda. Só sabem falar de assuntos tristes, temas negativos, em vez de falarem de coisas positivas e mais alegres. Houve uma hora de almoço em que o mote foi a operação de uma colega, tirou um sinal cujas análises vieram dizer que era maligno. Pronto. Estava dado o início à conversa sobre doenças. Era o marido de uma que tinha pontos negros nas costas com pus e que já tinha criado caroço e não queria ir ao médico ver aquilo. Era o sogro de outra com cancro não sei onde, com anemia. O filho com não sei o quê e que tem que fazer um tratamento ligado a uma máquina de não sei quanto em não sei quanto tempo. A repetição das mesmas coisas quase todos os dias. Como se não existissem mais coisas e mais alegres no mundo para falar. Nem que fosse do Ronaldo - outro assunto que já não posso ouvir mas que pelo menos não atrai coisas negativas para a nossa vida.

Já dei uma vez a minha opinião sobre isto, disse que estar sempre a falar de doenças e problemas de saúde só atrai mais do mesmo. Os meus pais, e eu mesma, também temos as nossas coisas e não estamos sempre a lamuriar-nos, aliás, evitamos falar disso exactamente porque acreditamos na lei da atracção e quanto mais falarmos mais atraímos. Portanto nesta casa falamos de coisas alegres. Mas naquele trabalho... naquelas horas de almoço... Meu Deus... só sabem falar de coisas tristes, de doenças, de vitimizações. Ainda se fosse de vez em quando, um desabafo. Mas não. São praticamente todos os dias as mesmas coisas e praticamente vindo da mesma pessoa. Gosto muito dela, mas fogo... começa a cansar... meto logo a minha mão no umbigo! Aprendi que ao taparmos o umbigo há menos hipóteses de energias negativas entrarem no nosso corpo por isso não custa nada tapá-lo com a mão quando estou a ouvi-la com lamúrias.

É que já não tenho mesmo paciência para este tipo de coisas. Quer dizer, na minha casa não falamos desses assuntos, e agora tenho que estar sempre a ouvi-los no trabalho diariamente? Por favor, haja respeito! Não é preciso estar sempre a bater na mesma tecla. Sejamos alegres e optimistas!

Será uma espécie de bullying laboral?

Rapariga do Campo, 12.09.22

É o que eu acho que estão a fazer com o meu pai e eu não sei o que fazer para conseguir ajudá-lo.

Desde há uns bons anos que ele começou a sofrer de depressão e aí começou com medicação. E agora parece que a dita cuja está a dar de si outra vez, quiçá a piorar. Penso, pelo que ele conta, por culpa dos colegas dele. Eu não vejo, é verdade, mas não tenho por que não acreditar no que o meu pai diz.

Esteve de férias e desde que voltou ao trabalho que tudo mudou. Os colegas dele viram-lhe a cara, embora o cumprimentem parece-lhe que é de má vontade. Sentavam-se ao pé dele à refeição e agora ninguém se senta ao pé dele. Ele está num sítio a fazer o serviço dele, a uns metros estão colegas a cochicharem e a rirem-se olhando para ele. Até os chefes têm agido de maneira diferente com ele. E ele não faz ideia do porquê, não quer perguntar porque tem medo de dizer alguma coisa de errado, de se exaltar e correr o risco de ser levado aos superiores e vir para o olho da rua. Ele até diz "Se calhar é o que querem, andam a fazer isto comigo porque sou efectivo e querem meter os efectivos a andar para ficarem só com temporários para pagarem menos aos empregados".

Como é que alguém se sentiria num ambiente assim? Eu não me sentiria bem. E o meu pai não se sente bem, por muito forte que ele seja fisicamente sei que ele não é assim tão forte mentalmente. Vai-se abaixo com facilidade. Não consegue lá estar. Não consegue trabalhar, e agora quer ir ao médico para ter baixa novamente. Só que já esteve de baixa antes das férias, vamos lá ver se a médica a pode passar, senão não sei como será.

E eu como filha não sei o que fazer. A minha vontade é aparecer lá e perguntar àquelas pessoas o que é o meu pai lhes fez para elas agora o olharem de lado, para se rirem dele e não o tratarem como antes. Mas não posso. Não posso porque isso iria ferir o ego masculino do meu pai e porque não me deixariam entrar. Não conheço as pessoas por isso nunca daria. A única coisa que posso fazer é dizer boas palavras ao meu pai, tentar fazê-lo mudar o seu pensamento. Fazê-lo perceber que não é a fugir de lá, a não ir trabalhar que as pessoas vão mudar e deixar de o tratar como tratam. Mas não sou eu que sinto o que ele sente.

No meio de galinhas

Rapariga do Campo, 07.05.22

Às vezes acho que trabalho no meio de galinhas e cuja maioria quer chegar ao poleiro, lugar onde nunca vão conseguir porque não têm estudos suficientes para tal. Palavras da minha chefe.

Por coisas mínimas fazem tempestades em copos de água. Outras vezes não querem dar a cara aos utilizadores com receio de ficarem mal vistas, mas o meu local já pode dar a cara. Se formos nós já não há problema nenhum.

Outras vezes são discussões em reuniões entre pessoas que não têm nada a ver com os assuntos, e falam como se tivessem metrelhadoras nas mãos não deixando sequer a outra pessoa defender-se ou dizer o que quer que seja. Isto porque são à distância, se fosse cara a cara se calhar a história era diferente.

Intrigas e mais intrigas. Imagino o mal que dizem nas costas umas das outras mas na frente são só sorrisinhos, abracinhos e beijinhos. Principalmente sobre uma das minhas colegas, a que eu mais gosto naquele local específico.

Para quê tanta falsidade e maldade? Tanta ânsia de poder, de querer mandar, de querer tudo de determinada maneira, de não aceitar opiniões. Acho que o facto de ser um departamento constituído por 95% de mulheres é o que faz com que haja tanta inveja. É sabido que, generalizando a coisa, as mulheres têm inveja umas das outras, e ali... uiiiiiii, o que não falta é inveja e mau agoiro.

Não tenho paciência para intrigas, bisbilhotices, fofocas. Falam, eu ouço, posso comentar qualquer coisa, mas sinceramente não tenho interesse nestes assuntos, em saber porque é uma pessoa subiu de posto e outra não... Não me interessa. Subiu, subiu, pronto. Foi "Factor C"? Talvez. Foi por política? Talvez. Então têm bom remédio, metam-se nisso também e pode ser que lá cheguem. Ou então vão estudar qualquer coisa, tirar um curso superior qualquer relacionado e pode que subam. Agora criar intrigas por coisas de nada? Isso é demais.

O que lhe interessa?

Rapariga do Campo, 28.03.22

Não, ainda não fiz seis meses de trabalho. Sim, os meus chefes autorizaram que, mesmo assim, eu estivesse de férias. E qual é o mal?

Disse eu a um familiar que estava uns dias de férias, veio logo um "mas já lá estás há seis meses?". Não, não estou mas os chefes autorizaram, e depois?

Quando as marquei disseram-me que dias do ano anterior teriam que ser gozados até Abril. Assim fiz, marquei esses dias de forma a gozá-los antes de Abril. Mais tarde vêm dizer-me que afinal não posso gozá-los antes de fazer os seis meses de trabalho, já eu tinha coisas marcadas no dito período, mas que se os meus chefes autorizassem não havia problema eu gozar esses dias. E eu assim fiz. Falei com os chefes, pedi autorização e eles deram. Há algum mal nisso? Acho que não.

Não sei qual é o interesse de certas pessoas meterem-se tanto na vida alheia, neste caso na minha vida. O que é que lhes interessa se estou de férias, se não estou, onde estou de serviço ou onde deixo de estar, se já estou há seis meses ou há meia dúza de dias. Eu não ando sempre a perguntar os horários, férias, etc. Compreendo que me ajudem em certos aspectos mas penso que isso não dá o direito de se quererem meter na minha vida. Daqui a bocado querem saber a quantidade de vezes que vou à casa-de-banho e os litros de xixi que despejo da bexiga.

Pensava que já não acontecia

Rapariga do Campo, 11.03.22

Apaguei redes sociais há uns tempos. Por ter mudado de trabalho, infelizmente tive que voltar a criar Facebook. Pouco ou nada ligo àquilo. Houve um dia que a minha chefe me mandou uma mensagem por lá às 8h e pouco da manhã, é óbvio que eu não vi. Tenho mais que fazer de manhã. Quando lhe disse que praticamente só ligo o Facebook no trabalho ficou chocada. Não sei porquê, eu já lhe tinha contado que não tinha redes sociais, que só criei (maldito) Facebook por causa do trabalho e que nem sequer tinha a aplicação instalada no telemóvel porque ele não tem memória para tal. Então lá lhe ocorreu aquela coisa que existia antes de terem inventado o facebook: as mensagens de telemóvel... e que se voltasse a precisar de me contactar iria recorrer às mensagens de telemóvel. Vá lá, fez-se luz.

Mas hoje... hoje vi uma coisa que pensava que já não existia nos tempos que correm... Ela fez uma partilha de uma publicação uma página qualquer e meteu gosto na própria publicação. Sinceramente achava que isso já não acontecia. Publicar meter gosto na própria publicação. Bem... Se partilhámos é porque gostámos certo? Enfim. Coisas que acho que nunca vou perceber.

 

Por isso é que ninguém aguenta

Rapariga do Campo, 10.12.21

Reclamam, desabafando comigo - eu, que sou nova naquele posto - que ninguém aguenta ali, que toda a gente muda para outros departamentos. Dizem que só metem naquele lugar pessoas que não se encaixam em mais sítio nenhum, e que depois essas pessoas voltam a pedir para mudar porque não se adaptam.

Porque será? Porque será que ninguém, ou poucas pessoas, gostam daquele local de trabalho? É assim tão mau? Do pouco que vou percebendo acho que não é pelo trabalho em si mas sim pelo ambiente que, por vezes, existe. Por causa das pessoas. Por um ou outro colega. Por uma ou outra boca que é mandada que vez em quando, com ou sem intenção, mas que magoa. Por na hora de almoço haver quem não saiba separar o tempo de trabalho do tempo de pausa - se é hora de almoço para quê continuar a falar em trabalho e não em trivialidades? - em que é para isso mesmo, pausar e parar para descansar. Por haver momentos em que querem que tudo já esteja feito ou que já se tenha conhecimentos sobre tudo, sobre todas as áreas. Por parecer que não há compreensão.

Eu gosto de estar ali, gosto do que ali faço, gosto das pessoas. Ainda estou a habituar-me àquelas personalidades - e que personalidades! -, ainda estou a apalpar terrenos, sinto-me melhor com uns colegas do que com outros. Mas o tempo ajuda em tudo. Só que já consigo ir tendo algumas opiniões, algumas percepções sobre as coisas, sobre as pessoas e as situações. E do meu ponto de vista é por tudo aquilo que citei. É por aquilo que ninguém aguenta trabalhar ali. É por aquilo que quem vai ali parar quer mudar de lugar. E eu não sei se, feliz ou infelizmente, um dia serei uma dessas pessoas.

Só uma semana

Rapariga do Campo, 21.09.21

Toda a gente deveria trabalhar por uma vez na vida em atendimento ao público. Bastaria uma semana com todos os tipos de clientes que existem, desde os mais calmos e pacatos aos mais stressados e mal educados. Podia ser que assim aprendessem a respeitar as pessoas que as servem, que as atendem com respeito, e não começassem a levantar a voz apenas porque o funcionário lhe está a dar uma informação - neste caso sobre uma coisa que antes era dada de graça e que agora, devido às leis instauradas, teve que passar a ser cobrada caso contrário pode haver coimas para a empresa por não cobrar. Objecto esse que é idêntico aos sacos, mas nos supermercados ninguém reclama, ali começam logo a mandar vir.

 

Eu a informar que o objecto tem que ser pago: Agora são vinte cêntimos.

A pessoa recusa-se a pagar.

Aparece uma das minhas superiores.

Cliente: A sua colega quer cobrar-me por isto, onde já se viu!

Superior responde: E faz ela muito bem, só está a cumprir as regras. Se quiser levar tem que pagar.

Cliente fica com cara de espanto. Apesar da máscara vê-se pela expressão dos olhos. Como é com a minha superior a pessoa não reclama e acaba por pagar pelo objecto sem reclamar mais depois de ouvir a explicação.

 

Hoje foi mais agreste e a pessoa levantou-me a voz, não me deixou sequer falar, não me deixou explicar o porquê desta mudança e só acalmou quando chegou essa minha superior. Aí sim, já se dignou a aceitar a explicação. Mesmo assim continuou a ateimar que onde quer que vá não lhe cobram por sacos.

 

Esta é uma das pessoas da minha lista de clientes que deveria ter a experiência de trabalhar por uma semana em atendimento ao público.

 

É assim tão mau e tão errado eu queixar-me?

Rapariga do Campo, 04.08.21

"Se estás bem onde estás e não queres mudar para o Estado então não te queixes", respondeu-me uma amiga minha quando lhe disse que eu não ia concorrer para vagas públicas cuja função fosse aturar crianças, limpar casas de banho ou varrer ruas. E atenção, não menosprezo quem tem esse tipo de trabalhos porque os meus dois avôs eram varredores de rua e a minha mãe já trabalhou a fazer limpezas (incluindo casas de banho) e a servir reclusos na cantina de uma cadeia. A questão aqui é: eu gostava de trabalhar no serviço público mas não quero trabalhar lá em qualquer coisa só para dizer que sou funcionária pública.

Trabalho num sítio onde ora ando ao calor intenso no verão, ora ando à chuva no inverno. Tenho que carregar pesos independentemente se tenho dores nas costas ou nos braços, ou não. Tenho que atender ao público pessoas que não sabem o que querem, que não fazem a mínima ideia de como se trata daquelas coisas. Não tenho o direito de querer um trabalho melhor? Melhor não é ir varrer ruas ou aturar crianças para as quais eu tenho ainda menos paciência. Para outras pessoas poderá ser, para mim não. Peço desculpa se a minha prespectiva é errada. Grata sou eu por ter trabalho, por ter bons colegas, por os meus patrões gostarem de mim, onde toda a gente compreende e aceita um problema de saúde que tenho e ajudam-me sempre que preciso. Sou muito grata por felizmente ter um trabalho perto de casa, havendo tantas pessoas a quem infelizmente não é dada uma oportunidade para mostrarem que sabem trabalhar. Mas porra, tenho um mestrado, andei 6 anos na faculdade, acho que mereço uma coisinha melhor do que aquela onde estou. Não posso queixar-me num momento de fraqueza?

Os trabalhos que essa minha amiga teve antes de conseguir entrar para o Estado foram sempre em escritório. Faz lá ela ideia do que é atender ao público, andar ao sol, à chuva, a arrumar coisas que os clientes desarrumam ou simplesmente estar com dores e ter que andar em pé todo o dia a fazer coisas que não se gosta.

Eu agradeço a ajuda que ela me dá ao enviar-me as vagas que abrem no sector público, mas acho que tenho o direito de lhe dizer que não vou concorrer a todas. Ou será que não posso dizer essa palavra "cruel"?