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Everything is a Choice

🍀 Escolho a paz e a harmonia pois é o melhor para mim! 🍀

Everything is a Choice

🍀 Escolho a paz e a harmonia pois é o melhor para mim! 🍀

No meio de galinhas

Rapariga do Campo, 07.05.22

Às vezes acho que trabalho no meio de galinhas e cuja maioria quer chegar ao poleiro, lugar onde nunca vão conseguir porque não têm estudos suficientes para tal. Palavras da minha chefe.

Por coisas mínimas fazem tempestades em copos de água. Outras vezes não querem dar a cara aos utilizadores com receio de ficarem mal vistas, mas o meu local já pode dar a cara. Se formos nós já não há problema nenhum.

Outras vezes são discussões em reuniões entre pessoas que não têm nada a ver com os assuntos, e falam como se tivessem metrelhadoras nas mãos não deixando sequer a outra pessoa defender-se ou dizer o que quer que seja. Isto porque são à distância, se fosse cara a cara se calhar a história era diferente.

Intrigas e mais intrigas. Imagino o mal que dizem nas costas umas das outras mas na frente são só sorrisinhos, abracinhos e beijinhos. Principalmente sobre uma das minhas colegas, a que eu mais gosto naquele local específico.

Para quê tanta falsidade e maldade? Tanta ânsia de poder, de querer mandar, de querer tudo de determinada maneira, de não aceitar opiniões. Acho que o facto de ser um departamento constituído por 95% de mulheres é o que faz com que haja tanta inveja. É sabido que, generalizando a coisa, as mulheres têm inveja umas das outras, e ali... uiiiiiii, o que não falta é inveja e mau agoiro.

Não tenho paciência para intrigas, bisbilhotices, fofocas. Falam, eu ouço, posso comentar qualquer coisa, mas sinceramente não tenho interesse nestes assuntos, em saber porque é uma pessoa subiu de posto e outra não... Não me interessa. Subiu, subiu, pronto. Foi "Factor C"? Talvez. Foi por política? Talvez. Então têm bom remédio, metam-se nisso também e pode ser que lá cheguem. Ou então vão estudar qualquer coisa, tirar um curso superior qualquer relacionado e pode que subam. Agora criar intrigas por coisas de nada? Isso é demais.

O que lhe interessa?

Rapariga do Campo, 28.03.22

Não, ainda não fiz seis meses de trabalho. Sim, os meus chefes autorizaram que, mesmo assim, eu estivesse de férias. E qual é o mal?

Disse eu a um familiar que estava uns dias de férias, veio logo um "mas já lá estás há seis meses?". Não, não estou mas os chefes autorizaram, e depois?

Quando as marquei disseram-me que dias do ano anterior teriam que ser gozados até Abril. Assim fiz, marquei esses dias de forma a gozá-los antes de Abril. Mais tarde vêm dizer-me que afinal não posso gozá-los antes de fazer os seis meses de trabalho, já eu tinha coisas marcadas no dito período, mas que se os meus chefes autorizassem não havia problema eu gozar esses dias. E eu assim fiz. Falei com os chefes, pedi autorização e eles deram. Há algum mal nisso? Acho que não.

Não sei qual é o interesse de certas pessoas meterem-se tanto na vida alheia, neste caso na minha vida. O que é que lhes interessa se estou de férias, se não estou, onde estou de serviço ou onde deixo de estar, se já estou há seis meses ou há meia dúza de dias. Eu não ando sempre a perguntar os horários, férias, etc. Compreendo que me ajudem em certos aspectos mas penso que isso não dá o direito de se quererem meter na minha vida. Daqui a bocado querem saber a quantidade de vezes que vou à casa-de-banho e os litros de xixi que despejo da bexiga.

Pensava que já não acontecia

Rapariga do Campo, 11.03.22

Apaguei redes sociais há uns tempos. Por ter mudado de trabalho, infelizmente tive que voltar a criar Facebook. Pouco ou nada ligo àquilo. Houve um dia que a minha chefe me mandou uma mensagem por lá às 8h e pouco da manhã, é óbvio que eu não vi. Tenho mais que fazer de manhã. Quando lhe disse que praticamente só ligo o Facebook no trabalho ficou chocada. Não sei porquê, eu já lhe tinha contado que não tinha redes sociais, que só criei (maldito) Facebook por causa do trabalho e que nem sequer tinha a aplicação instalada no telemóvel porque ele não tem memória para tal. Então lá lhe ocorreu aquela coisa que existia antes de terem inventado o facebook: as mensagens de telemóvel... e que se voltasse a precisar de me contactar iria recorrer às mensagens de telemóvel. Vá lá, fez-se luz.

Mas hoje... hoje vi uma coisa que pensava que já não existia nos tempos que correm... Ela fez uma partilha de uma publicação uma página qualquer e meteu gosto na própria publicação. Sinceramente achava que isso já não acontecia. Publicar meter gosto na própria publicação. Bem... Se partilhámos é porque gostámos certo? Enfim. Coisas que acho que nunca vou perceber.

 

Por isso é que ninguém aguenta

Rapariga do Campo, 10.12.21

Reclamam, desabafando comigo - eu, que sou nova naquele posto - que ninguém aguenta ali, que toda a gente muda para outros departamentos. Dizem que só metem naquele lugar pessoas que não se encaixam em mais sítio nenhum, e que depois essas pessoas voltam a pedir para mudar porque não se adaptam.

Porque será? Porque será que ninguém, ou poucas pessoas, gostam daquele local de trabalho? É assim tão mau? Do pouco que vou percebendo acho que não é pelo trabalho em si mas sim pelo ambiente que, por vezes, existe. Por causa das pessoas. Por um ou outro colega. Por uma ou outra boca que é mandada que vez em quando, com ou sem intenção, mas que magoa. Por na hora de almoço haver quem não saiba separar o tempo de trabalho do tempo de pausa - se é hora de almoço para quê continuar a falar em trabalho e não em trivialidades? - em que é para isso mesmo, pausar e parar para descansar. Por haver momentos em que querem que tudo já esteja feito ou que já se tenha conhecimentos sobre tudo, sobre todas as áreas. Por parecer que não há compreensão.

Eu gosto de estar ali, gosto do que ali faço, gosto das pessoas. Ainda estou a habituar-me àquelas personalidades - e que personalidades! -, ainda estou a apalpar terrenos, sinto-me melhor com uns colegas do que com outros. Mas o tempo ajuda em tudo. Só que já consigo ir tendo algumas opiniões, algumas percepções sobre as coisas, sobre as pessoas e as situações. E do meu ponto de vista é por tudo aquilo que citei. É por aquilo que ninguém aguenta trabalhar ali. É por aquilo que quem vai ali parar quer mudar de lugar. E eu não sei se, feliz ou infelizmente, um dia serei uma dessas pessoas.

Só uma semana

Rapariga do Campo, 21.09.21

Toda a gente deveria trabalhar por uma vez na vida em atendimento ao público. Bastaria uma semana com todos os tipos de clientes que existem, desde os mais calmos e pacatos aos mais stressados e mal educados. Podia ser que assim aprendessem a respeitar as pessoas que as servem, que as atendem com respeito, e não começassem a levantar a voz apenas porque o funcionário lhe está a dar uma informação - neste caso sobre uma coisa que antes era dada de graça e que agora, devido às leis instauradas, teve que passar a ser cobrada caso contrário pode haver coimas para a empresa por não cobrar. Objecto esse que é idêntico aos sacos, mas nos supermercados ninguém reclama, ali começam logo a mandar vir.

 

Eu a informar que o objecto tem que ser pago: Agora são vinte cêntimos.

A pessoa recusa-se a pagar.

Aparece uma das minhas superiores.

Cliente: A sua colega quer cobrar-me por isto, onde já se viu!

Superior responde: E faz ela muito bem, só está a cumprir as regras. Se quiser levar tem que pagar.

Cliente fica com cara de espanto. Apesar da máscara vê-se pela expressão dos olhos. Como é com a minha superior a pessoa não reclama e acaba por pagar pelo objecto sem reclamar mais depois de ouvir a explicação.

 

Hoje foi mais agreste e a pessoa levantou-me a voz, não me deixou sequer falar, não me deixou explicar o porquê desta mudança e só acalmou quando chegou essa minha superior. Aí sim, já se dignou a aceitar a explicação. Mesmo assim continuou a ateimar que onde quer que vá não lhe cobram por sacos.

 

Esta é uma das pessoas da minha lista de clientes que deveria ter a experiência de trabalhar por uma semana em atendimento ao público.

 

É assim tão mau e tão errado eu queixar-me?

Rapariga do Campo, 04.08.21

"Se estás bem onde estás e não queres mudar para o Estado então não te queixes", respondeu-me uma amiga minha quando lhe disse que eu não ia concorrer para vagas públicas cuja função fosse aturar crianças, limpar casas de banho ou varrer ruas. E atenção, não menosprezo quem tem esse tipo de trabalhos porque os meus dois avôs eram varredores de rua e a minha mãe já trabalhou a fazer limpezas (incluindo casas de banho) e a servir reclusos na cantina de uma cadeia. A questão aqui é: eu gostava de trabalhar no serviço público mas não quero trabalhar lá em qualquer coisa só para dizer que sou funcionária pública.

Trabalho num sítio onde ora ando ao calor intenso no verão, ora ando à chuva no inverno. Tenho que carregar pesos independentemente se tenho dores nas costas ou nos braços, ou não. Tenho que atender ao público pessoas que não sabem o que querem, que não fazem a mínima ideia de como se trata daquelas coisas. Não tenho o direito de querer um trabalho melhor? Melhor não é ir varrer ruas ou aturar crianças para as quais eu tenho ainda menos paciência. Para outras pessoas poderá ser, para mim não. Peço desculpa se a minha prespectiva é errada. Grata sou eu por ter trabalho, por ter bons colegas, por os meus patrões gostarem de mim, onde toda a gente compreende e aceita um problema de saúde que tenho e ajudam-me sempre que preciso. Sou muito grata por felizmente ter um trabalho perto de casa, havendo tantas pessoas a quem infelizmente não é dada uma oportunidade para mostrarem que sabem trabalhar. Mas porra, tenho um mestrado, andei 6 anos na faculdade, acho que mereço uma coisinha melhor do que aquela onde estou. Não posso queixar-me num momento de fraqueza?

Os trabalhos que essa minha amiga teve antes de conseguir entrar para o Estado foram sempre em escritório. Faz lá ela ideia do que é atender ao público, andar ao sol, à chuva, a arrumar coisas que os clientes desarrumam ou simplesmente estar com dores e ter que andar em pé todo o dia a fazer coisas que não se gosta.

Eu agradeço a ajuda que ela me dá ao enviar-me as vagas que abrem no sector público, mas acho que tenho o direito de lhe dizer que não vou concorrer a todas. Ou será que não posso dizer essa palavra "cruel"?

O choro compulsivo e por fim a aceitação e aprendizagem

Rapariga do Campo, 31.07.21

Primeiro o choque com a nota. Depois um choro semi-compulsivo por perceber que não foi desta. Entretanto as palavras de apoio de duas colegas de trabalho e da minha mãe pelo telefone. Mais lágrimas a saírem pelos meus olhos e a minha alma a ser lavada graças àquela má notícia. No final veio o sentimento de falha mas juntamente o sentimento de "pelo menos tentei" e de que só falha quem se propõe a fazer, a tentar e a dar o seu melhor. E eu dei o meu melhor naquele dia, um dia em que não estava bem nem física nem psicologicamente.

Graças a esta situação aprendi várias lições. Aprendi que não é por falhar que sou menos que as outras pessoas. Aprendi que o passado é isso mesmo, é passado, e não posso mudar nada. Aprendi que não vale a pena remoer e ficar triste por uma coisa que não posso mudar e que está lá atrás no tempo. Ok, sim é algo mau. Mas será que vale a pena ficar a remoer, ficar de mau humor, ficar a lamuriar-me por não ter conseguido? Não. Aprendi que não vale a pena. Vale sim a pena levantar a cabeça e seguir em frente. Partir para outra e voltar a tentar mais tarde em outras oportunidades semelhantes ou então completamente diferentes. Se cair e falhar... paciência. Um dia chega-se lá e cumpre-se o objectivo. Entretanto é seguir a vida de cabeça erguida e agradecer por ter saúde, casa, comida, trabalho e tantas outras coisas que toda a gente deveria ter.

Tudo isto porque chumbei numa prova e por isso não vou trabalhar para um sítio onde adorava poder trabalhar. Talvez um dia surja a oportunidade naquela instituição. Ou então não. Se calhar tudo isto que parece mau é afinal algo bom e significa que a vida tem reservado algo muito melhor para mim.

Ao que parece estou violenta

Rapariga do Campo, 23.07.21

As pessoas, na sua generalidade, não têm noção do quão chatas são. E apesar de eu não poder alterar isso, eu fico chateada sem razão. É mais forte que eu. Todos os dias há pessoas que não respeitam o nosso horário de funcionamento, principalmente no verão. Nós também temos vida, sabiam? As pessoas que atendem ao público também têm vida além do trabalho.

Hoje, no final de mais um dia, dei um murro no armário para libertar tensão. E isso realmente deixou-me mais leve. Comentei na brincadeira com uma colega e apareceu à minha frente toda uma conversa sobre violência. Que bater em objectos é errado mesmo que sejam sacos de boxe. Que os homens que batem nas mulheres começaram por bater em objectos, depois em animais e depois nas pessoas. Que quando não há objectos para bater acaba-se por bater em pessoas.

É óbvio que a violência não faz bem a ninguém, nem eu própria me considero violenta, mas porra. Tenho metade da idade dela, não tenho a experiência de vida que ela tem. Eu sei perfeitamente que não posso reagir com violência, sei perfeitamente que não posso ligar ao que as pessoas dizem ou ao facto de elas não saberem respeitar horários, e sei perfeitamente que posso ter errado ao ter dado um murro no armário. Mas será que esse simples acto faz de mim uma pessoa violenta? Essa simples acção significa que um dia vou ser uma pessoa agressiva e bater nos meus pais ou em outras pessoas próximas? Eu acho que não. E acho que não é preciso virem ralhar comigo quase a gritar por causa de uma coisa insignificante. Ou será que tem importância? Se calhar tem e por isso é que estou a escrever isto. Eu já sei que tenho muito a aprender. Já sei que estou sempre a errar. Já sei que não faço as coisas como aquelas pessoas querem que eu faça. Já sei que não sou como aquelas pessoas querem que eu seja! Mas é preciso um discurso moralista, quase aos gritos? Se calhar é melhor internarem-me já ou meterem-me numa cela, não vá eu matar alguém com a raiva.

Acabei de ler um artigo que diz que libertar a raiva com gritos ou murros não faz bem e até aumenta a agressividade. Ok, é o que a ciência diz e supostamente a ciência não erra. Mas será assim tão fácil? Duvido que seja, mas vou tentar. Não custa nada não é? Se não qualquer dia ainda chamam a polícia ao meu local de trabalho só porque eu estou enervada e posso desatar a bater aos clientes.

Acho que estas coisas não são para mim

Rapariga do Campo, 25.03.21

Agora foi uma imobiliária. Se no começo do mês me parecia que queriam que pagasse para trabalhar, desta vez acho que é trabalhar a recibos verdes. Não ter um ordenado fixo mas sim um ordenado à base de comissões. Aquele "Ah e tal, criar o nosso próprio horário, gerir a nossa agenda à nossa maneira". Que ao vender uma casa por, suponhamos, 300 000 euros ganho logo 3000. Ok, parece tentador. Não se tem um contrato de trabalho mas sim um contrato de prestador de serviços. Nah, não me agrada. Perguntei como estava o mercado em plena mandemia e diz ela que o mercado imobiliário foi dos mercados que não foi abalado e que 2020 foi o segundo melhor ano de vendas daquela empresa. Estranhei, nas notícias não se vê muito disso. Mas eu também quase não vejo televisão.

Este tipo de propostas parecem tentadoras mas eu acho que não vou cair na tentação. Não gosto de riscos. Prefiro ganhar 600 e poucos euros garantidos, do que num mês ganhar 3000 e não saber se no mês seguinte ganharei alguma coisa. É certo que, na generalidade da coisa, não se gasta 3000 euros da noite para o dia e 3000 são mais ou menos 4-5 ordenados mínimos. Mas não. Se fosse um ordenado fixo + comissões, aí pensaria no assunto. Neste caso já está mais que pensado. É aguardar que a senhora que me contactou volte a contactar com o calendário da - suposta - formação gratuita que iria ter para aprender tudo sobre o assunto, e aí dizer-lhe que vou recusar a proposta. Não gosto de ganhar apenas o ordenado mínimo, mas gosto ainda menos de não saber com o que posso contar no futuro. Hoje posso vender um bruto casarão e depois estar dois, três, quatro meses sem conseguir vender um simples apartamento.